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Impactos da Covid-19 no transporte de cargas

Quem imaginaria que, em 2020, o mundo viveria uma situação como a vivida nos dias atuais? A pandemia não avisou que ia chegar e pegou todos os mercados completamente desprevenidos, e com o transporte de cargas não foi diferente.

Desde o final de 2019, o mundo passou a conviver com uma notícia que se tornaria o maior evento mundial dos últimos anos: a pandemia da Covid-19 (uma variação do coronavírus). 

A doença, sobre a qual pouco se sabe, ataca principalmente as funções respiratórias e pode levar o paciente à necessidade de respiração mecânica, através de equipamentos hospitalares, e demais cuidados em Unidades de Terapia Intensiva.

Outro fator que chamou a atenção dos estudiosos é a rápida proliferação do vírus, que se deslocou de sua origem, na China, para a maioria dos países do planeta.

Juntando os dois fatores, ou seja, a necessidade de internação dos pacientes e a rápida proliferação do vírus, o cenários que se desenhava era de um colapso dos sistemas de saúde dos países, que não suportariam tantos pacientes necessitando de cuidados especiais.

Para conter esse colapso, decidiu-se pelo isolamento social, medida que distanciava as pessoas e freava sua contaminação, tornando viável o tratamento para aqueles que se acometessem da doença.

Com isso, o isolamento social mudou a vida e a rotina das pessoas. Essas mudanças impactaram, e muito, no setor de logística.

Os impactos da Covid-19 no transporte de cargas

Com a recomendação de fechamento de atividades não essenciais, o comércio que não atendia a essa premissa fechou, ficando impedido de abrir para o público e, consequentemente, também não recebia mais as cargas que lhe eram direcionadas.

Na outra ponta, fabricantes que sabiam não haver a possibilidade de entregar suas mercadorias no comércio, deixaram de produzir e de expedir suas mercadorias.

Com isso, desenhou-se um cenário preocupante para a logística, que viu sua demanda despencar, ao passo que suas despesas não acompanharam o mesmo movimento.

A pesquisa CNT sobre o impacto da Covid-19 no transporte de cargas

Para mensurar os reais impactos da atual crise no mercado de transporte de cargas, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) elaborou uma pesquisa com 776 empresas de cargas e de passageiros de todos os modais de transporte, entre 1º a 3 de abril de 2020, e compilou as informações recebidas.

A constatação do impacto negativo no setor de transporte de cargas

Segundo apontou a pesquisa, mais de 90% dos entrevistados avaliaram que a pandemia trouxe impactos negativos para o setor de transporte de cargas, sendo que 69,5% apontaram o impacto como muito negativo.

Esse grande percentual mostra que, além dos evidentes impactos, a confiança do empresário do setor também foi abalada.

O ambiente ideal para o crescimento das empresas exige um ambiente minimamente previsível, no qual se possa fazer estimativas e traçar planos de investimento.

A Covid-19 impôs uma nova realidade à economia, tornando impossível fazer essas estimativas e planejar investimentos. Com isso, o empresário se viu diante de incertezas relativas ao seu futuro.

Dificuldades na obtenção de insumos

Não há dúvidas de que a Covid-19 resultou em uma queda no faturamento das empresas e consequente crise do setor, mas os problemas causados pelo vírus ainda podem se desdobrar.

Segundo a pesquisa da CNT, quase 50% das empresas do setor já destacaram dificuldades para obter insumos necessários para a operação de transporte de cargas.

Isso significa que as poucas empresas que ainda conseguem manter uma operação ativa – muitas vezes ligadas aos setores de atividades essenciais – já enfrentam dificuldades para obter os insumos necessários para manter essa operação. Isso acontece porque as empresas que fornecem os insumos podem estar fechadas ou com suas operações reduzidas.

A atividade de transporte de cargas é essencialmente uma atividade de meio que demanda muitos insumos, como combustível, pneus e peças.

Com a escassez desses insumos, podemos atingir uma situação de não conseguir atender nem mesmo aos setores essenciais, aumentando ainda mais os efeitos da crise.

Falta de serviços de apoio ao transporte de cargas

Além dos insumos, outra demanda dos transportadores tem sofrido uma escassez no período de isolamento social: os serviços de apoio.

Muitas vezes, as exceções concedidas aos setores essenciais demandam serviços paralelos que não são essenciais. Os postos de combustível, mecânicas e lojas de autopeças são alguns exemplos.

Sem esses serviços apoiando a operação logística, torna-se insustentável, até perigoso, manter os veículos em rota, uma vez que sua segurança pode estar comprometida.

Na pesquisa da CNT, essa dificuldade também surge, sendo que 38,8% dos entrevistados já reclamam de dificuldades para encontrar serviços de apoio ao transporte.

Uma luz no fim do túnel

Mesmo com todos os impactos extremamente negativos e uma forte tendência a uma queda da receita de todo o setor, além da possibilidade de medidas, como a diminuição do quadro de funcionários, a pesquisa da CNT apontou o que seria, na opinião dos entrevistados, as medidas mais eficazes para auxiliar o setor nesse momento de crise.

A opção mais apontada foi a concessão de créditos com carência estendida e taxa de juros reduzida.

Mais de 50% dos entrevistados responderam que a disponibilização de crédito é uma forma de ajudar as empresas do setor a sanar possíveis dificuldades vinculadas às obrigações financeiras que possam impactar no fluxo de caixa.

Com o apoio do governo federal, uma medida dessa natureza pode poupar empregos e estabelecer uma condição segura para que as empresas não deixem de investir em seus ativos. Além de também mantê-las em operação, atendendo a toda a cadeia logística e minimizando os efeitos da pandemia no mercado como um todo.

Hora de refletir sobre os processos

Apesar do clima de incerteza, a baixa na movimentação também pode gerar uma disponibilidade de tempo que os empresários do setor raramente dispõem.

Pode ser o momento de revisitar processos, buscar melhorias e redução de custos.

Um dos processos que podem ser estudados e melhorados é o de Gerenciamento de Risco. Entender quais medidas estão sendo mais eficazes e quais podem ser melhoradas pode criar um cenário mais favorável no futuro, quando as operações voltarem ao normal.

Confira o passo a passo para a implementação do gerenciamento de risco no transporte de carga!

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